Aplicações de rochas graníticas e quartzito na construção civil
Escrito por Rayane Oliveira Fernandes, bacharel em Ciência e Tecnologia e graduanda em Engenharia Civil pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
As rochas graníticas e os quartzitos constituem recursos minerais de elevada relevância para a construção civil, em razão de suas propriedades físico-mecânicas, durabilidade e potencial de utilização em aplicações estruturais, funcionais e ornamentais. O granito é uma rocha ígnea plutônica, formada pelo resfriamento lento do magma em profundidade, cuja composição mineralógica é constituída predominantemente por quartzo, feldspatos e micas. Essas características conferem ao material propriedades que podem favorecer sua utilização em revestimentos, elementos arquitetônicos e produção de agregados para concreto e pavimentação. Entretanto, seu desempenho depende de fatores como composição mineralógica, textura, grau de alteração, porosidade e presença de microfissuras. Nesse contexto, Chiossi (2013) destaca a importância do conhecimento geológico para a compreensão do comportamento das rochas como materiais de engenharia, uma vez que suas características naturais influenciam diretamente a seleção, o processamento e a aplicação em obras civis. Assim, a caracterização tecnológica constitui uma etapa fundamental para assegurar a compatibilidade entre as propriedades do material e as exigências de desempenho estabelecidas para cada utilização. Os aspectos mineralógicos e texturais das rochas graníticas estão relacionados à sua composição mineral, ao tamanho dos grãos e à disposição dos minerais que constituem a rocha. Essas características influenciam propriedades como resistência mecânica, durabilidade e comportamento durante o beneficiamento e a aplicação na construção civil, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura 1 – Aspectos mineralógicos e texturais das rochas graníticas.

Fonte: Dreamstime ([s. d.]).
No setor da construção civil, o granito apresenta ampla aplicação como revestimento de pisos, paredes e fachadas, além de bancadas, soleiras, peitoris, escadas e elementos decorativos. Sua utilização está associada à resistência ao desgaste, à estabilidade e à diversidade estética decorrente das variações mineralógicas e texturais. Em ambientes de circulação intensa, a especificação desse material deve considerar parâmetros como resistência à abrasão, absorção de água, acabamento superficial e condições de exposição. Nas fachadas, também devem ser avaliados os sistemas de fixação, a segurança dos elementos de revestimento e a compatibilidade entre as características da rocha e as solicitações ambientais. Além do emprego ornamental, o granito constitui matéria-prima importante para a produção de agregados minerais, obtidos por processos de britagem e classificação granulométrica. Esses agregados podem ser utilizados na fabricação de concretos, em misturas asfálticas, em bases e sub-bases de pavimentos e em sistemas de drenagem, desde que atendam aos requisitos técnicos pertinentes. A seleção deve considerar propriedades como resistência mecânica, distribuição granulométrica, forma dos grãos, durabilidade e presença de constituintes potencialmente prejudiciais, demonstrando que o aproveitamento do material exige controle tecnológico compatível com a finalidade prevista.
O quartzito, por sua vez, é uma rocha metamórfica constituída predominantemente por quartzo recristalizado, geralmente resultante da transformação de arenitos submetidos a condições específicas de pressão e temperatura. Durante o metamorfismo, ocorre a recristalização dos grãos minerais e, em muitos casos, o desenvolvimento de uma estrutura interligada que proporciona elevada dureza e resistência à abrasão. Entretanto, essas propriedades não são uniformes em todas as variedades de quartzito, pois dependem da composição mineralógica, do grau de recristalização, da porosidade, da presença de microfissuras e da orientação dos planos de foliação. Segundo Costa, Campello e Pimenta (2000), a caracterização das rochas ornamentais é essencial para orientar sua seleção e utilização na indústria da construção civil. Dessa maneira, a avaliação das propriedades físicas e mecânicas do quartzito permite identificar suas potencialidades e limitações, contribuindo para a especificação de materiais adequados às condições de serviço. A realização de ensaios tecnológicos é particularmente importante quando a rocha será submetida a solicitações mecânicas, variações térmicas, umidade ou agentes ambientais capazes de comprometer seu desempenho ao longo do tempo. O quartzito apresenta características mineralógicas e texturais resultantes do metamorfismo de arenitos quartzosos, sendo constituído predominantemente por quartzo recristalizado. Sua textura, marcada pelo imbricamento dos grãos minerais e pela coesão entre os cristais, influencia propriedades como dureza, resistência ao desgaste e durabilidade, aspectos que favorecem sua utilização na construção civil e no revestimento de superfícies, conforme apresentado na Figura 2.
Figura 2 – Aspectos texturais e mineralógicos do quartzito.

Fonte: CHIOSSI, (2015).
Em aplicações arquitetônicas, o quartzito é empregado principalmente em revestimentos de pisos, paredes, fachadas, escadas, calçadas, bordas de piscinas e áreas externas. Sua resistência ao desgaste, associada à diversidade de cores, texturas e padrões naturais, favorece sua utilização em projetos que conciliam desempenho técnico e qualidade estética. Santos et al. (2014), ao abordarem a extração mineral de quartzito e sua aplicabilidade na construção civil, evidenciam a importância desse recurso para o setor de materiais de construção. Contudo, a escolha da rocha deve considerar as características específicas de cada aplicação, incluindo o acabamento superficial, a absorção de água, a aderência, a resistência ao escorregamento e as condições de exposição. Em áreas molhadas e ambientes externos, por exemplo, a seleção do acabamento deve priorizar a segurança dos usuários, enquanto os sistemas de fixação em fachadas devem assegurar estabilidade e resistência às solicitações atuantes. Além disso, a utilização de subprodutos provenientes da extração e do beneficiamento do quartzito apresenta potencial para ampliar o aproveitamento dos recursos minerais. Nesse sentido, Queiroz e Melo (2019) investigaram as propriedades térmicas de materiais produzidos com resíduos da extração de quartzito destinados ao revestimento de fachadas, demonstrando a relevância de pesquisas voltadas à valorização desses subprodutos e à investigação de alternativas tecnológicas para sua aplicação na construção civil. O granito e o quartzito apresentam ampla aplicação em revestimentos arquitetônicos, devido à combinação de propriedades estéticas e características físico-mecânicas, como resistência, durabilidade e diversidade de cores e padrões texturais. Esses materiais são utilizados em pisos, fachadas, bancadas, paredes e escadas, contribuindo para a funcionalidade e a valorização estética dos ambientes. Exemplos dessas aplicações podem ser observados na Figura 3.
Figura 3 – Aplicações do quartzito e do granito em revestimentos arquitetônicos.

Fonte: FRANGELLA,(2003).
Sob a perspectiva da sustentabilidade, a utilização de rochas graníticas e quartzitos deve considerar os impactos ambientais associados às etapas de extração, beneficiamento, transporte e instalação. Embora esses materiais apresentem potencial de longa vida útil quando corretamente especificados e executados, sua cadeia produtiva pode envolver consumo de energia e água, geração de resíduos sólidos, emissão de particulados, ruído e alterações na paisagem. Por esse motivo, o planejamento das atividades de lavra, a otimização dos processos de corte e polimento e o reaproveitamento de fragmentos e resíduos constituem estratégias relevantes para reduzir perdas e melhorar a eficiência no uso dos recursos minerais. A incorporação de resíduos em materiais reconstituídos e em outras aplicações tecnicamente viáveis também pode contribuir para diminuir a quantidade de rejeitos destinados à disposição final. Entretanto, a viabilidade dessas alternativas deve ser comprovada por ensaios de caracterização e avaliações de desempenho, considerando os requisitos específicos de cada produto. Conforme a abordagem geológica e tecnológica apresentada por Chiossi (2013), a compreensão das propriedades dos materiais naturais é indispensável para sua utilização racional na engenharia. Portanto, a seleção entre granito e quartzito deve ultrapassar critérios exclusivamente estéticos e econômicos, incorporando parâmetros de desempenho, segurança, manutenção, disponibilidade regional e impacto ambiental. Conclui-se que ambas as rochas apresentam importantes possibilidades de aplicação na construção civil, desde que sua especificação seja fundamentada na caracterização tecnológica, na adequação às condições de uso e na adoção de práticas que promovam maior eficiência e sustentabilidade no aproveitamento dos recursos minerais.
Referências
COSTA, Antônio Gilberto. Rochas Ígneas e Metamórficas: petrografia, aplicações e degradação. Oficina de Textos, 2021.
CHIOSSI, Nivaldo. Geologia de engenharia. Oficina de Textos, 2015.
DE ANDRADE QUEIROZ, Clarissa; DE MELO, Aluísio Braz. Caracterização das propriedades térmicas da pedra reconstituída com resíduos da extração de quartzito para aplicação em revestimento de fachadas de edifícios [Characterization of the thermal properties of reconstituted stone with the quartzite extraction waste for use in the coating of building facades]. REEC-Revista Eletrônica de Engenharia Civil, v. 15, n. 1, 2019.
Frangella, Jacinto. "Usos, adequações e aplicações das rochas ornamentais e de revestimentos." CETEM/SBG, 2003.
SANTOS, Dênnys Araújo et al. Extração mineral de quartzito e sua aplicabilidade na construção civil na cidade de várzea–PB. Holos, v. 4, p. 89-100, 2014.






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